11.12.07
Perspectiva
Vou vivendo por entre o sossego do vulgar esperando um dia conseguir vencer do avesso
Vou vivendo por entre a montanha-russa que é a vida, sem fuga possivel, traçado planeado, não por nós mas por algo que nunca chegaremos a perceber ou melhor, a entender.
Dou por mim isolado de verdadeiras emoções mas sempre abrangido por um vasto mundo de oportunidades que me deixam pensativo, o erro não é do sistema, será meu?
Perco-me no silêncio da noite que se revela meu aliado, aquele que me consegue fazer pensar de maneira mais racional possível, de dia sou nulo, à noite sou eu…
Nesse silêncio, vejo pelo canto do olho a minha sombra, caiu na verdadeira situação da minha vida, do meu modo de estar, em que sinto que há algo que me falta mas que ao mesmo tempo não me preocupa em demasia, não por inércia de sentir mas por feitio, talvez por experiência.
Sinto o aviso inevitável da consciência.
Perco-me por entre devaneios sem prepósito que acabam por fazer parte integrante da minha alma, do que sou ou do que penso que sou.
Parece que já não sei pensar, do sono que não tenho e que não sei sentir do sono que não consigo ter.
Estou cansado, mas sim, realmente falta-me algo, falta-me fazer algo, seja lá o que isso for.
Eclipso-me por vezes em momentos…
Momentos em que não me sinto a mim muito menos a coisas externas.
Momentos que me lembra que o que quer que tenha vindo cá fazer, ainda não o fiz.
Momentos em que a essência da minha alma se resume a um vazio de sensações.
Momentos em que analiso tudo o que vivi e maravilho-me do que consegui não ver.
Sigo neste meu sonho dentro de um sonho que é a vida, com a eterna necessidade de voar ao som de uma música que me faça chegar a uma conclusão, será que existo somente porque enchi tempo com consciências e pensamentos?
Necessidade de um abraço ao coração, não ao corpo.
Tudo isto é somente mais uma perspectiva inquietante que tal como começou, assim termina. Num fulgor de nada, e para nada… o sempre nada, e o que sou eu?
Eu sou eu, só eu, mais nada…
27.2.07
Sentir
Nunca pensei ou consegui prever que voltasse a sentir de novo aquela dor...
Se um dia não são dias.
Se o amanhã pode ser tao melhor que o hoje.
Se podemos voltar a sentir em uníssono e tornar-nos um só.
Se a emoção mais forte nos conseguir de novo apoderar, controlar, esquecer toda a mágoa como ninguém, encontrar, poder encontrar todas as coisas que eu te posso dar, saber amar, saber perdoar, a possibilidade de voltar e aceitar...
Tanto por conhecer, basta querer.
Tanto para dar, tudo para dar, basta deixar-nos levar...
Há algo que sinto a falta a cada segundo, algo que é tudo.
Quero voltar a casa sem ter receio de pensar, sem ter medo...21.2.07
Sonho
O tempo não pára, a vida lá fora continua a girar, num ritmo acelerado, que nada nem ninguém consegue parar.
Encerro-me neste cenário oblíquo...
Apodera-se de mim a dor da ausência, dos dias passados, das marcas ainda frescas que pernoitam na minha memória, do sonho ausente, recordação bem viva que alguém quer que se torne num vazio.
Afinal, já desprovido da essência do sonho e da força da certeza, apenas a razão, pura e simples, faz imperar o paradigma. De facto, se o sonho desaparecer por completo, fico apenas "à espera que o jogo acabe"...
Já me é difícil provar algo.
Já não vejo o amanhecer em nenhuma das minhas ideias.
Perder o sonho vem alterar o meu "paradigma", a forma como vejo o mundo, os outros, o amor e os sonhos...
Resta-me a insónia. Pelo menos resta-me a certeza que a insónia ficará comigo e uma dúvida inevitável: será que sem sonho, há só insónia ?
Procuro-me em dias passados.
Procuro-me nas vidas futuras.
Procuro-me nos sonhos que se desvanecem de um passado recente.
Sigo viagem, mas à medida que vamos caminhando pelos corredores da nossa existência, vamos-nos perdendo nos labirintos que nos próprios construímos.
Não sei se são os dias que custam a passar ou se é a noite que tarda em chegar. "Só sei que nada sei", e quanto mais julgo saber, maior é a minha pequenez.
Nada a fazer senão recolher-me lentamente aos meus pensamentos, deixando apenas entrar um de cada vez.
Preferimos acreditar que amanhá será melhor, entregando-nos hoje à tristeza e solidão sem nos apercebermos que entramos num ciclo vicioso que nos conduz ao vazio, uma doença.
Não há sentimento maior que a saudade de alguém especial, dor maior que o vazio, momento pior do que a solidão que atinge o nosso coração.
Comunicamos em silêncio.
O teu abraço é a minha cura...
27.1.07
Reflexo
Porque a vida tudo nos tira.
Porque a nossa vida pode assumir a forma de algo, de alguém.
Porque esse alguém comanda a vida.
Porque estamos perdidos nas suas mãos...
É o peso da vida, é a gravidade, ninguem lhe pode escapar.
Assim começa uma viagem interminável num mundo de convulsões de sentimentos...
Comigo levo a força, de lutar sempre, de acreditar, de perdoar e pedir perdão, a generosidade e o desejo de dividir o que tenho, o que sinto, o que sou...
Caímos num vazio de impotência, retiram-nos toda a capacidade de exprimir aquilo que corre dentro de nós a toda a velocidade e que nao conseguimos transparecer.
Efectuo uma revisão no meu processo intlectual, deixo tudo para tras, dou tudo o que julgo ter, quero e preciso ver tudo no seu lugar mas uma razão no caos só o amor sabe ver, dou tudo, sou nada...
Se preciso de aprender, preciso que quem comanda a vida me ensine, não tenho um plano melhor.
Serei apenas a sombra de um sonho? Um sonho, que basta um pequeno gesto, uma pequena palavra de fé por parte do algo que comanda a vida, e se torna real.
Vejo o teu reflexo, o teu reflexo sou eu, confundo-me contigo.
Isto não é um dia qualquer...
25.8.06
Momento: Fé
Sou atingindo por uma convulsão de sentimentos e impulsos que se sobrepõem criando uma névoa na minha visao, a qual para sempre julguei nítida, vou pensando em tanto e tao pouco...
Algo que penso atingir num futuro próximo.
Algo que acaba sempre por me escapar por entre os dedos.
Fico parado no tempo, sempre a ver, a imaginar, aquele momento em que impróprio ou próprio de mais para intervir e decidir verdadeiramente o que é certo, tudo passou por mim, um tudo que não deixa dúvidas tal o eco que criou junto da verdadeira essência da minha alma, tudo passou e em que ao olhar para trás vi que nada havia a fazer...
O momento em que se inverteria a situação.
O momento que realmente me marcou, pelo menos por agora, temo que para sempre...
Mentalizo-me sobre o que aconteceu e o que não aconteceu, todavia existe sempre aquela mínima hipótese de dar a volta à situação, de que tudo é vulgar quando é exposto à luz, de facto, o contraste é a razão.
Nada é o que parece, é a linha d orientação a seguir para tentar manter a racionalidade que se tenta esconder por entre milhares d pensamentos cujo único objectivo é baralhar as contas da vida.
Parece que o que tenho feito não tem volume nem cor, vive-se na eterna esperança da intervenção de algo divino que tudo desmistifique.
Fico à espera que a hipocrisia caia do seu pedestal.
Suspenso o sorriso, resta o que sou, nada mais.
O tempo tudo nos leva mas a inabalável fé que o destino nos possa aquecer paira sempre no ar.
Acabo, nem mais nem menos, no ponto onde começei...
18.5.06
Presença Ausente
Palavras são o que são, emoções são o que resta.
Conformei-me com o facto d estar só, aprendi a estar assim, foi o q me aconteceu, consigo estar tão perto d mim mas tão longe de toda a gente, de alguém...
Uma espécie de protecção da vida.
Mas o tempo corre, não espera por nós.
Tenho que parar de deixar para amanha o que posso fazer hoje mas é uma corrida contra o próprio feitio.
Tenho de parar de pensar no amanha, o amanha não existe, vive-mos aqui e agora. Aqui e agora, sou. Depois, depois logo se verá.
Não adianta fechar os olhos.
Não vale a pena viver na saudade do que podia ser.
Sei que tenho que lutar por algo que julgo que realmente me faz falta e que me podia completar, mas o alvo não é facilmente reconhecido por mim ou pelo “algo” que me comanda sobre o qual me vejo impotente em conseguir exercer qualquer tipo de pressão, “algo” que nao sou eu, “algo” que nao é meu mas o que é que sou eu e o que é que é meu?
Nada nos pertence.
Nada fica sempre em nós.
Tudo muda.
Tudo muda menos o constante apelo de ser, de apenas ser...
Felicidade que vai e volta...
Tantos sentimentos que não consigo fazer atravessar as fronteiras da minha mente, sentimentos enclausurado devido a qualquer coisa superior, superior em relação ao que sou mas muito inferior ao que gostava de ser.
É a sinfonia da vida, que toca sem parar te alcançarmos o momento em que tudo se inverte, a mudança que parece não nos querer invadir assim, de qualquer maneira...
Não acredito que ninguém sinta o mesmo que eu.
Não acredito que haja tempo para pensar.
Não acredito que a mudança esteja para breve.
Hoje e amanha, serei sempre assim?
Quem será que me pode salvar?
A resposta estará realmente mais perto que aquilo que penso?
No fundo tudo será facil de perceber nos é que somos cegos e como se isso não bastasse acreditamos apenas no que vemos...
E vemos tao pouco.
E acreditamos tao pouco.
Sem repostas, sou e continuo prisioneiro do meu próprio passado...
São danos colaterais das opções que tomamos, por vezes involuntariamente, sem darmos conta, que vão apagando os vestígios que ainda subsistiam de aquilo que já fomos e que muito provavelmente gostariamos de voltar a ser, como por magia, com um toque subtil...
Ate lá continuo a funcionar apenas como mais uma presença ausente.
24.3.06
Fragmentos de Vida
É dificil falar a sério quando se trata de lembranças , todos os nomes, todos os factos, todos os lugares, tudo é exclusivo, tudo faz parte das minhas memórias. São vagas, indecisas e quase mentirosas aquelas que criei no decorrer do tempo, com um fundo de verdade, que sou eu, que fiquei para contar a história...
Mais leve e sem palavras, mantenho os olhos fechados durante uns segundos, mais uma vez passaram horas e não dormi.
Tudo está muito claro, quase óbvio.
Fecho os olhos novamente, isso facilita a minha visão.
Fecho os olhos, na ânsia de apagar a melancolia do olhar, na esperança que a pura magia tudo possa mudar...
É nao ter o controlo.
É saber que ninguém consegue controlar o sonho assim como ninguém consegue controlar a vida.
Se abrir uma porta não sei o que está por trás dela.
Se abrir uma caixa não sei o que está dentro dela.
Não tenho escolhas.
Só isso...
Fico retido em memórias que vão e voltam, num ciclo ininterrupto.
Até descobrir que sou mais que um produto de pensamentos perdidos vou tentando sonhar livremente, vou sorrindo...
6.2.06
Voar
A eterna busca do "objecto de desejo" que vou tentando delinear...
É estimular a pura curiosidade.
É a minha forma peculiar de observação.
É a minha faculdade de jogar a utopia, o real, a vida.
Chegou a altura em que temos que interiorizar que o tempo confere aos momentos que passamos uma efemeridade cuja consciência temos que compreender pois torna a nossa existência numa aventura temporal. Faz-nos perceber que há coisas tão fáceis como voar.
É estranho ver-eme num mundo vazio e ainda mais quando o mais vazio sou eu...
Respiro fundo e sigo na rota do "objecto de desejo" tentando conciliar modos de vida diferentes, ficando dividido na dualidade mental que encontro mas não por ter procurado.
Vou analisando quem interioriza e quem exterioriza.
Vou efectuando um percurso expontâneo e voluntário em tudo semelhante à vida.
É a corrida lado a lado entre o sentir e o pensar.
É querer mudar e acabar com este inebriante modo de vida que é permanecer eternamente no acto de intlectualizar as coisas e não viver no "deixa que acontença".
É a minha ilusão, eterna ilusão...
Isto só para lembrar que hoje sinto-me vivo, seja por que motivo for.
1,2,3, fecho os olhos e estou a voar.
Tenho um plano melhor?
16.1.06
Posição (X,Y) = (0,0) ?
O tempo passa...
Mergulho no silêncio confortante que a noite me traz, ouvindo apenas o pulsar do sangue nos ouvidos. Tento vir à superficie da vida para recuperar o fôlego e pensar sobre o caminho que percorri...
Onde vim parar?
Para onde vou ?
Vejo-me perdido sobre os mesmos elementos e temas que se repetem, dialogam, se tocam, se fundem sem que haja consciência do "outro" ao lado.
Oscilo hoje por aquilo que ontem procurei e que sei que no amanhã...
Nunca há-de existir.
Nunca tal me há-de fazer feliz.
Nunca tal hei-de descobrir.
Sem nunca desistir apesar de aparentemente estar condenado ao fracasso...
Procurarei nesta noite.
Procurarei na noite que vem.
Procurarei na noite que há-de vir.
Incessantemente...
Temo que nunca virá mas irei sempre procurar.
Até lá, divago sem saber a minha posição neste jogo que é a vida.
Até lá, vou procurando apenas um entretenimento para a mente enquanto o jogo decorre.
Estou cansado e não tenho sono...
19.12.05
Hesitação
Olho no horizonte, tentando esboçar um sorriso, perdendo-me por breves instantes para tentar esquecer que tudo era para ser como tinha que ser.
Sem efeito, dou comigo a tentar manipular o passado juntando pedaços de tempo, sabendo que a menor distância entre dois pontos no tempo sao as memórias que guardamos. Memórias que me desafiam, memórias de palavras que ficaram por dizer...
Palavras perdidas.
Palavras que deitei fora.
Palavras por palavras.
Palavras cujo sentido ficou por definir por falta de tempo ou coragem.
Vejo-me então agarrado a essas palavras mudando o seu sentido pelo simples prazer de imaginar o possível desfecho.
Os ponteiros do relogio vão ganhando terreno...
Realizo-me que já nao tenho todo o tempo do mundo para continuar a ficar perdido em pensamentos.
Todavia sinto que estou a mudar, não estaremos todos ?
Menos sensíveis, mais pragmáticos.
Menos espontâneos, mais racionais.
Sinto-me a perder o toque inigualável da inocência do sentir e pensar, o toque único de ser levado pelo vento...
6h da manha da minha vida e não sou o mesmo de à uma hora atrás, não sei se quero ser igual mas não sei se devo ser diferente...
Hesito...
9.11.05
Aprender a viver
Olho pela janela, vislumbro a lua cuja luz incide em mim provocando um claro flashback de ideias vazias de sentido, num ápice revivem-se momentos que duraram anos, num instante e por um instante temos o poder de compactar a própria vida.
Oiço música, como se um filtro para a realidade que possui o sublime poder de personificar o nosso pensamento. Acendo a luz, dissipando todas as sombras menos a minha. Aproveito então este súbito momento, precioso oásis, e espalho palavaras iluminadas numa folha de papel em branco...
Parece que tou a chegar rápido e com demasiada frequência a lugar nenhum...
Fico à espera que o vento me sopre na direcção certa, preciso de me lembrar como viver naturalmente.
Todavia, farei sempre parte dos que querem escolher, e vou aprendendo...
"Se conseguires viver uma tarde absolutamente inútil, de maneira absolutamente inútil, então sabes viver".
Analisa o ar que respiras, sente a brisa a passar, mergulha na saudável sensação que ela te transmite...
O tempo passa, ficamos imóveis, somos embebidos por uma tranquilidade que nos esvazia de pensamentos, o nada preenche-nos e só nos apetece pairar, ver, apreciar, sem interferir, a distância à realidade vai aumentando mas nada fazemos para o impedir, sentimo-nos bem, tão bem...
Aprendemos assim a viver...
24.8.05
Utopia do "Não Sei"
A consciência de saber que tudo muda, nada permaneçe na mesma.
A inconsciência de não saber lidar com isso.
Cronometro todos os meus movimentos de forma acurada e sigo a viagem para o "não sei onde".
Visões a preto e branco, sem cheiro, sem vida, sequer sentido, mas, ao fundo, no hipotético horizonte que criei, re-encontro um sorriso do passado que me havia sido tatuado num local apenas visível quando a lúcidez do pensamento se desvaneçe, um sorriso, um tesouro, repleto de momentos não tristes, não felizes mas sim avassaladores, marcantes...
Agarro-me a este único e ilústre momento, viro-o ao contrário, do avesso, colocando-o de novo na posição original, sentindo-me constantemente abraçado por forças que partem do meu interior e que misturam a toda a força e velocidade a razão com a ignorância, uma mescla de "não sei quê" que tento aceitar e de maneira alguma tentar piorar.
Oiço todo o burburinho de fundo em tom musical, o "não sei onde" está mais perto...
Todavia, o encontro que procuro que me consiga conexar a lúcidez do sentir com a insanidade do pensamento nao se avizinha de facto imediato...
Muito próximo para ser reconhecido.
Muito profundo para ser agarrado.
Muito fácil para se acreditar.
Muito maravilhoso para ser entendido intlectualmente.
Enfim, encontro-me então "não sei como", estranho ou não é assim que alcanço o "não sei onde" e me encontro realmente.
Como posso eu ficar?
Eu sou assim...
28.6.05
Respira-me
Um olhar no vazio e sigo o meu caminho.
A música toca e toca enquanto eu continuo na eterna espiral de pensamentos perdidos.
Mais um passo errado e volto cair...
Parece não demorar tempo nenhum, apenas um pequeno lapso de razão que me cega a vida por uma vida.
Não me esqueço, hoje não vai haver sono.
Há algo que raramente me fala, mas que constamente oiço respirar...
Já me senti no topo.
Já me senti no fundo.
Já soube tudo.
Já esqueci tudo.
1,2,3, voltamos a pairar, somos nuvens sobre uma terra cheia de "ninguem sabe o quê"
Sou um espaço vazio, mas não posso ser substituído.
Fico à espera que alguém me apague e me reescreva.
Sou eu, sempre a fazer perguntas.
Sou eu, sempre a andar em círculos.
Sou eu, sempre à procura da porta certa.
Vou precisar de duas vidas para seguir os rumos que tenho levado.
Vou ficando agarrado à beleza de coisas simples, sem grande sentimento, não há ninguém para culpar, talvez isso seja o pior de tudo.
Estou farto de vir parar sempre ao ponto de partida...
Por enquanto e até o "não sei quando" vou usando a linha do tempo e os raios do sol para me camuflar...
Está um dia bonito lá fora, e eu constantemente dentro de mim em estúpidas divagações...
20.6.05
Jogo de Sombras
Que é que vemos ?
Sombras, sombras que desvaneçem, que se acentuam, que ficam, que desaparecem.
Mas o tempo não pára...
Vivemos de pequenos momentos de êxtase, de deslumbramentos, de fantasia, de inquietudes.
Vejo um paradoxo em tudo, é sobre ele que me equilibro.
Quero ser aquilo que realmente sou mas sobretudo quero que consigam ver isso.
Quero mostrar o meu lado mais puro mas parece que só vêm ou só querem ver a minha sombra.
Todos nós, sem excepção, temos aspectos que não deixamos ninguem ver ou que ninguem consegue decifrar, sentimentos profundos, desejos secretos, mágoas recalcadas.
Quando realmente conseguirem ver esses aspectos, eu sou eu.
Mas conhecer realmente alguém é tão facil como voar...
Chega de fazer "rewind" e viver sobre memórias antigas, tristes, alegres, simplesmente... memórias.
Chega de querer voltar a pôr o pé na ténue linha de sentimentos antigos que inequívocamente tentamos voltar a despertar porque...
Hoje o tempo escorre pelos dedos das nossas mãos.
Hoje o tempo voa nas asas de um avião.
Tudo parece querer correr bem mas, e o "mas" está sempre presente apesar de já ter aparentemente decifrado todos os códigos possiveis há algo que me continua a escapar, pelos vistos há-de querer continuar sempre a faltar, há-de continuar a ser a minha triste linha de orientação...
Até lá, explico-me pelo que penso, conduzo-me pelo que sinto e pelo que sei que sou.
15.6.05
1 + 1 = Vazio
Quero não ter razão.
Quero ser culpado por sentir...
O vazio...
Será um jogo?
Não sinto um vazio efémero, aquela sensação facilmente percebida quando olhamos para alguem do sexo oposto e nos sentimos como por magia atraídos, essa visão estimula os nossos sentidos criando na nossa mente um objecto de desejo. Por instinto, o nosso organismo tenta um grande suspiro, enchendo os pulmoes de ar numa tentativa ilusória de preencher o vazio criado por aquele desejo momentâneo. Quando a mente percebe que isto foi em vão, expira-se o ar, comprimindo-se então esse espaço vazio. Isso dá-nos uma sensação momentânea de angústia e/ou depressão, mas sendo fruto do momento, não tem a menor importância.
Sinto um vazio de um nível superior mas mesmo assim alternado, aquele que joga com os nossos estados de espirito, tenta permanecer em nós, tenta-nos levar por caminhos que indelicadamente acabamos por tomar mas que tentamos a toda a hora deixar de seguir... ou será que não?
É o estado "Round'n'Round".
É o questionar tudo.
É o nao ter resposta para nada.
É o meu estado...
De qulquer modo gosto de pensar que existe um patamar superior que nos faz sentir não tão distantes de algo real, esse patamar é o vazio a um nível perpetuado e decadentista.
Mas, "Sejamos realistas e não decadentistas", somos meros passageiros na travessia da vida, não podemos sequer pensar em ir tão fundo, poderemos não ter tempo para regressar, agarrar-nos-emos então aos momentos?
Simplesmente não se pode tentar ganhar o jogo de qulquer maneira...
Eu + Vazio = Vazio
Deixo-me levar...
Et Voilá
Um tema a desenvolver...
18.5.05
Momento: Vazio
Vivo demasiado em pensamentos, queria tanto que eles deixassem de ocupar a maior parte de mim, sinto a falta de me apaixonar. Como é incómodo chegar a casa com a saudade irónica de sofrer por amor, a ilusão imaculada do amor...
Quanto mais eu ando, menor me sinto, mais singular, preciso de me perder... mas para verdadeiramente sentir, deixar de mapear a lógica própria, deixar-me levar por essas sensações, deixar o corpo fazer o relatório.
Não interessa nada do que já foi feito.
Não há sentido sem o sentimento presente.
Tudo flui, influi-mos nas decisões e nos caminhos que decidimos, muda-se tudo, e o tudo pode ter vontade própria, essa vontade pode brincar com alguma coisa maior.
É tão bom cruzar as pernas e pensar em nada que possa ser lembrado depois...
Procuro, Procuro, Procuro.
Procuro na natureza das pessoas alguém para se amar, procuro um sentido real para a vida
Até encontrar, vou ficar no meu, cada vez maior, vazio, escuro, obtuso.
Sim, assumo que a resposta não é a procura, mas a minha mente limitada pela incapacidade de sentir algo verdadeiramente sentido julga-se incapaz de encontrar o plano B...
Corro, Ando, Corro, Fujo.
No vazio, o vazio...
Alguém para amar
19.4.05
Bem Vindo a Ti
Intensificam-se as sensações.
Sente a brisa, sente o que te rodeia, encaixa-te no padrão.
Pura criação.
Puro amor.
Puro ódio.
Pura imaginação.
Divaga, devaneia, voa!
Faz-te ouvir em alto e bom som, não esperes por uma intervenção divina.
Não te deixes prender pelos versos.
Não te deixes prender pelas palavras.
Não te deixes prender pelos nervos.
Não te deixes prender pelo que está errado.
Não te deixes prender pelo tempo.
Recicla-te, não vejas a preto e branco, não sintas em câmera lenta, acorda!
Senão podes mudar o mundo em si, muda o teu próprio mundo, prova a tua própria verdade, o teu próprio ideal, toma consciência da tua, tão só tua, e quão única identidade. É essa a filosofia correcta.
Hoje acredito não haver um fim, vamos ver o sol, ver o mundo a nascer.
21.3.05
Porque fui,sou. Porque sou, serei.
Preciso de alguém que me encontre, não que me sinta totalmente perdido ou num "caos" porque isso faz-nos certificar que somos "estúpidos" e mesmo que o sejamos não vale a pena afirma-lo. De um certo modo parece que nos foi retirada a auto-estima e quão importante é esta para que consigamos manter o barco de frente, sem grandes oscilações. Parece que desapareceu o lado da intuição, o lado onde mora o coração, que nos guiava no escuro. Ao mesmo tempo parece que não faço por tentar mas, até tento, será que não? O que é preciso? O que é que falta?
É sentir a falta de algo exterior que puxe por nós.
É o sentirmo-nos algo e não alguém.
É o caminho não parecer o correcto.
Mas é a nossa vida!
"Round'n'round", assim me sinto, fecho os olhos, crio um mundo, passeio pelas ilusões sóbrias de pensamentos ébrios, imagino ser aquilo que não sou mas que no fundo poderei vir a ser. Quero pensar em algo que altere o ponto de ajuste a algo quase perfeito, não totalmente porque existe a tal lacuna apenas preenchível pelo toque único da realidade, só assim abriria os olhos e lançaria ao mundo um verdadeiro sorriso ou pelo menos uma maneira de estar alegre e verdadeiramente sentida.
A pulsação dispara, os pensamentos disparam, giram, não param...
Sei que não interessa o tempo que demorarmos, não interessa as mentiras que nos criam e que queremos acreditar, apenas "step by step" alcançaremos o juízo perfeito.
Havemos de agarrar o "algo" que paira sobre nós, a sombra das nossas ilusões turvas.
No fundo, para cada um existe alguém...
A pulsação esta' super calma.
Sinto-me "below zero".
Será o regresso do vazio?
Será a vontade inequívoca de voltar a pôr o pé em falso?
No fundo, quero acreditar que tenho um plano traçado mas hoje não, hoje quero estar assim...
6.3.05
Por de trás da tela
Seguimos caminho por estas ruas iluminadas, fazem-nos pensar, fumamos a vida, respiramos até sufocarmos, sentimo-nos cada vez mais pequenos, todos os 7 dias da semana, valerá a pena tentarmos escapar sempre?
Temos medo a cada momento que passa, sabemos que nos encontramos a uma grande distância do que pretendemos, até pode ser que não mas o impasse está establecido.
Lembro-me de tudo o que tive e que desapareceu, sem avisar, de tudo aquilo que voltou e volta com a mesma facilidade com que havia partido, tudo para nos lembrar que tudo tem uma volta a dar, aquilo que achamos que nos é devido, principalmente ao coração pode estar ao nosso alcançe, talvez seja altura de parar de insistir em perpetuar a noção de que é impossível...
Sinto-me fora de mim...
